Surina Mariana

Tenho dois nomes.  Surina e Mariana Carpanezzi.

Quero descobrir o que sou, por isso faço histórias e livros. A força que me faz escrever é a mesma que me arrasta para a entrega espiritual, então minha relação com o escrever é de devoção. A escrita me constrói muito mais do que eu a ela, e do mesmo jeito que não sei o que vou encontrar quando me sento em silêncio, também não sei onde vou terminar quando começo a escrever.

Minha escrita é experimental porque serve para descobrir em vez de alcançar. Gosto de arranhar a casca da linguagem, escrevendo para encontrar as fronteiras de mim e do tempo enquanto misturo memória com a saudade de coisas que nunca aconteceram. Me acontece de empilhar narrativas distantes e palavras inventadas em livros onde minhas experiências são costuradas com um fio tão fino, e tão vulneravelmente, que acabam se transformando em ficção. Escrevo porque preciso não ter medo. Meu corpo de trabalho é  biográfico e íntimo. Talvez íntimo demais: escrevo como quem cruza para o outro lado, como quem quer encontrar o último espelho, separar as peças da consciência e pousar de volta na inocência de um corpo vazio.

Eu sou.

Retrato Surina Mariana

Essas são minhas publicações: O mundo sem anéis (162 p.), um diário aberto sobre meus 100 dias viajando de bicicleta, foi publicado em dezembro/2015 pelo selo Longe (Brasília). O livro físico está esgotado, mas é possível adquiri-lo em versão Kindle pela Amazon.

Em 2016 e 2017 criei 3 livros experimentais ilustrados: O amor não é matemático (2016); Porque tudo começa do mesmo lugar (2016) e Histórias de Cavalas (2017), estes últimos dois em parceria com a artista Luda Lima. Todos foram publicados pelo selo que a gente criou, o Supernova (Brasília).

Em 2018, escolhi me dedicar integralmente à minha prática espiritual, à escrita e aos meus desenhos. Em fevereiro passei a viver no sul de Portugal com meu mestre espiritual, Mooji. Um ano depois, em fevereiro de 2019, vim até a Índia pela terceira vez para acompanhá-lo na temporada de ensinamentos em Rishikesh.

Enquanto você me lê, faço um retiro em Dharamshala, no norte da Índia. Aqui escrevo e desenho o Diário Espiritual dos Sentimentos Esquisitos, um livro com 108 jogos narrativos sobre a experiência de estar só. O Diário Espiritual será publicado no Brasil este ano, em data a ser definida.