Um dia o mundo terminou. Assisti o naufrágio da nossa civilização deitada numa cama esquecida de um apartamento esquecido numa cidade onde eu conhecia ninguém. Quando último tijolo caiu e a energia elétrica apagou os postes elétricos de todos os lares, peguei minha bicicleta com o plano de viajar 15 dias .

Na volta, já eram três meses depois.

“Ela:

No começo foi a tristeza.

Não que eu soubesse discernir, que colocasse qualquer esforço em descrever, nem que tivesse ideia do que era aquela presença, ali. Mais do reino dos que não têm forma, a tristeza, no fim das contas, é só uma palavra.”

 

O mundo sem anéis (2016, Selo Longe) é um diário íntimo dos meus 100 dias viajando de bicicleta sozinha entre a França, Espanha e Portugal. Meio guia de viagem, meio caderno de anotações, ele é uma fala sobre deixar morrer e sobre deixar nascer enquanto o planeta Terra gira em torno de si e do sol. O nosso corpo, também.

“Pesquisei por dois meses antes de comprar aquela barraca verde levinha de marca boa, feita de materiais tecnológicos e altamente recomendada por campistas experientes. Ela ficou comigo nas primeiras duas semanas de viagem, e eu a odiei todos os dias e com todas as minhas forças, porque era tubular e me fazia sentir sufocada dentro de um sarcófago de dois milhões de dólares.

No lugar dela surgiu A Barraca Azul.”

Como comprar  O mundo está disponível em ebook – formato Kindle . O livro físico esgotou, mas você encontra as últimas cópias na Livraria da Tapera e na Banca Tatuí.As duas fazem entrega online. Em Curitiba, algumas cópias do livro estão na Livraria Barbante.

O que falam do livro  Gazeta do Povo (Dez/16), Revista Trip Para Mulheres – TPM (Fev/16), Red Bull Site (Mar/16), Correio Braziliense (Out/16), Correio Braziliense (Nov/16), Banca Tatuí (Set/2017)

+ 4 entrevistas  Metrópoles, TvUnB – Tirando de Letra, programa Iluminuras e Ossobuco.

Quer ler um trechinho?

“Uma ilha é um pedaço de terra cercado de água por todos os lados.

Mal completamos sete anos e na escola já nos ensinam essa estupidez de ter que  definir o óbvio

– cercada-de-água-por-todos-os-lados –

, mas não ensinam a sair da nossa própria prisão. Na falta de resposta, a dignidade da vida me explica: de uma ilha esquecida só se deve sair pelo ar, voando sobre, deixando pra trás. Deitada, assisto aos cometas e satélites, às estrelas cadentes e aos planetas da Via-Láctea. Estamos destinados a girar em torno do sol.

Só levantei da cama depois de dois meses, quando entendi que meu pedido de resgate em disco voador não seria atendido enquanto eu estivesse assim, deitada. Na falta de asa, lancei barco ao mar. Não na esperança de sair, que liberdade remando não é inteira. Mas na de ver o que estava ao redor.

Disse sim à mensagem que a Carol mandou de Genebra, explicando sobre os mais de mil quilômetros de ciclovias que se estendem pela costa atlântica da França, entre a Bretanha e a fronteira com a Espanha. Sim aos alforjes, às roupas de ciclista, aos mapas, às passagens de trem, ao equipamento de camping, a quinze dias viajando de bicicleta pela primeira vez.

Sim à viagem, que não é sair da ilha, mas perder-se em volta dela. Às vezes, quando não existe solução, a única coisa a fazer é contornar.”

Por Mariana Carpanezzi (textos e ilustrações).
160 págs, 2015, publicado pelo selo Longe

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